
Terminei de ler The Corportaion, do professor de Direito Joel Balkan, uma defesa - muito boa, do meu ponto de vista - da idéia de que corporações são o equivalente jurídico de psicopatas: criaturas programadas para defender a própria sobrevivência e a satisfação de suas necessidades imediatas, e f*da-se o resto.
Diferente de psicopatas, diz o argumento, pessoas saudáveis têm a consciência de que seres humanos merecem dignidade e respeito, e portanto as ditas pessoas saudáveis sabem que é preciso ceder de vez em quando, ou abrir mão de uma vantagem que, mesmo sendo legal, poderia causar sofrimento ao próximo.
Pessos normais também são capazes de dizer "isso é errado", em vez de simplesmente calcular qual a probabilidade de serem pegas com a boca na botija.
Já empresas são construídas de modo a não ter escrúpulos além do cálculo de dividendos. Isso não é culpa delas, da mesma forma que uma aranha não é culpada por lançar ácidos digestivos sobre uma mosca ainda viva: só acontece que elas são projetadas desse jeito.
A maior crítica que posso fazer a Bakan é a de que, uma vez tendo estabelecido o caso pela deformação moral da entidade corporativa, o autor passa a promover o Estado como remédio para o problema. Como se governos (e partidos políticos!) também não fossem psicopatas, ainda que de outro tipo.
Alguém deveria, aliás, escrever uma análise do tipo a respeito das igrejas. Se as grandes corporações são Norman Bates, aposto que nenhuma religião deve ficar muito atrás de Hannibal Lecter.
Diferente de psicopatas, diz o argumento, pessoas saudáveis têm a consciência de que seres humanos merecem dignidade e respeito, e portanto as ditas pessoas saudáveis sabem que é preciso ceder de vez em quando, ou abrir mão de uma vantagem que, mesmo sendo legal, poderia causar sofrimento ao próximo.
Pessos normais também são capazes de dizer "isso é errado", em vez de simplesmente calcular qual a probabilidade de serem pegas com a boca na botija.
Já empresas são construídas de modo a não ter escrúpulos além do cálculo de dividendos. Isso não é culpa delas, da mesma forma que uma aranha não é culpada por lançar ácidos digestivos sobre uma mosca ainda viva: só acontece que elas são projetadas desse jeito.
A maior crítica que posso fazer a Bakan é a de que, uma vez tendo estabelecido o caso pela deformação moral da entidade corporativa, o autor passa a promover o Estado como remédio para o problema. Como se governos (e partidos políticos!) também não fossem psicopatas, ainda que de outro tipo.
Alguém deveria, aliás, escrever uma análise do tipo a respeito das igrejas. Se as grandes corporações são Norman Bates, aposto que nenhuma religião deve ficar muito atrás de Hannibal Lecter.
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